7/6/2008 Folha de Pernambuco
Raquete, peteca, e o sonho para uma nova vida
Bárbara Rodrigues
http://www.folhape.com.br/folhape/materia.asp?data_edicao=06/07/2008&edt=1&mat=101386

Há cerca de quatro anos, a 85 quilômetros do Recife, um alemão, uma raquete e uma peteca começaram a mudar a vida de dezenas de crianças e jovens carentes de uma cidade do Agreste pernambucano. Radicado no Brasil desde 1991, Frank Düesberg levou para Gravatá o segundo esporte mais praticado no mundo: o badminton. E, o que no início era apenas uma brincadeira, passou a ser visto como grande esperança de futuro a meninos e meninas da periferia da região.
“Morava no Recife quando comecei a praticar o badminton. Por razões pessoais, fui morar em Gravatá, e não queria parar de jogar. Então, encontrei a quadra da Odip (Obra de Defesa da Criança Pobre), próxima à Favela da Linha. Consegui alugá-la e, através de uns amigos, convidei os alunos de um colégio da periferia de lá para jogar”, contou o alemão, que a partir daí, em outubro de 2004, deu início ao projeto Centro de Desenvolvimento de Badminton (CDB).
Sem tanta popularidade no Brasil, não foi fácil conseguir a adesão das crianças e dos adolescentes da periferia gravataense. “Ninguém queria aprender no começo, porque não conhecia o esporte. Aí fizemos um torneio, uma apresentação, e o grupo começou a crescer. Os meninos começaram a ver que, através do badminton, eles podiam ter uma chance de viver melhor, de sorrir, já que a vida deles é tão sofrida”, contou José Paulo da Silva, o Paulinho, 20, um dos primeiros alunos do projeto, hoje professor e coordenador do local, e um exemplo da dimensão alcançada pelo CDB, que, já no segundo ano de existência, teve um dos meninos convocados para a seleção brasileira. “Ele já tem proposta de uma bolsa de estudos em uma faculdade particular de Natal (RN), para quando terminar o colégio, ensinar badminton lá”, revelou Frank Düesberg.
Com aulas de segunda a sexta-feira, das 17h às 19h, e, aos sábados, das 8h às 16h, o Centro de Desenvolvimento de Badminton conta, agora, com a participação de cerca de 50 meninos e meninas. “Conseguimos tirar alguns dos meninos da rua e, ainda, com nosso incentivo, ajudamos a melhorar, e muito, o rendimento deles na escola”, falou Paulinho. E quem estiver interessado em participar, a vontade é o único pré-requisito exigido. “É um espaço aberto para todo mundo”, disse Düesberg, que ainda lembrou das necessidades do projeto. “Faltam material (raquete, peteca, rede), professores para o reforço escolar que damos aos alunos, patrocínio para disputarmos, no final do mês, a etapa de Teresina (PI) do Circuito Nordeste de Badminton, alimentação, apoio institucional...”

Serviço
Centro de Desenvolvimento de Badminton
Endereço: Fazenda Sampaio, s/n, Caixa Postal 56 - Zona Rural, Gravatá - PE.
Contas bancárias: Banco do Brasil, conta corrente 14.977-2, agência 0922-9;
Contatos: (84) 8875-0910 (Frank Düesberg) ou (81) 9957-4633 (Paulinho).