Reportagem de página inteira com fotos do Diário de Pernambuco do dia 04 de abril de 2009

Sonho de badminton
Cidadania // Projeto difunde a prática da modalidade olímpica para cerca de 60 crianças do município de Gravatá
Ana Paula Santos // Diario
anapaula.pe@diariosassociados.com.br

Gravatá - Dia 28 de outubro de 2004. Esta data mudou a vida de José Paulo Pereira. Natural do município de Gravatá, distante 82 km do Recife, o garoto foi apresentando ao badminton, modalidade olímpica, mas pouco difundida no estado. A prática é rara na capital pernambucana, mas na pequena cidade do agreste esse esporte vem ganhando muitos adeptos. E o público alvo tem sido crianças e adolescentes das comunidades menos favorecidas (conhecida por Área Verde, onde se localizam as favelas Dois Irmãos e da Linha). Meninos que começaram como José Paulo, 21, que hoje já desempenha a função de instrutor do esporte.

A modalidade, bastante popular em países asiáticos, chegou à Gravatá através do alemão Frank Düesberg, que agora visita os treinos dos 60 praticantes de badminton a cada 15 dias (Frank reside em Natal-RN e segue coordenando o projeto). Interessado em contribuir com os trabalhos sociais da cidade, realizados pela Obra de Defesa da Infância Pobre (Odip), ele apresentou a leve raquete e a peteca aos meninos de Gravatá.

No início, o preconceito foi maior do que o interesse em aprender o novo esporte. "Os meninos diziam que era meio comprometedor, principalmente porque tinha que quebrar o punho para bater na peteca. Besteira. Hoje quando a gente joga na rua, todo mundo que ver e arriscar umas batidas", conta José Paulo, que juntamente com seu irmão, Leonardo Pereira, 19, trabalham voluntariamente no Projeto Sonho de Badminton. Leonardo, inclusive, é o principal destaque da equipe, que neste final de semana disputa a 1ª Etapa do Circuito Nordeste no Geraldão. Na competição, 20 atletas vão estar representando a Odip de Gravatá.

Familiarizado com o esporte, os atletas tiveram a oportunidade de competir em outras etapas de regionais. Já passaram pelo Piauí e Rio Grande do Norte e sempre figurando no pódio, em diversas categorias. A vinda de todo o grupo para o Recife não foi possível por falta de apoio. "Só conseguimos alugar uma van e não cabe todo mundo. Além do mais, tivemos que bancar a nossa alimentação, o que já é um sacrifício", explicou Paulo.

A ausência de patrocínio tem sido o grande adversário do projeto. Apenas Frank, com a ajuda de alguns amigos, a Odip, que abriga os treinos, e o Fundo Estadual da Criança e do Adolescente (Fedeca) colaboram para a compra de material, viagens, uniformes e alimentação. "Nosso objetivo é tirá-los das ruas. A gente sacrifica nosso horário de funcionamento. Até aos domingos abrimos o espaço para eles jogarem. É importante para eles terem sonhos. Mas não temos como mantê-los aqui sem o envolvimento de parceiros. Além do esporte, os meninos estudam e têm reforço escolar, inclusive aos sábados", esclareceu Irmã Antoniele Holanda, coordenadora sócioeducativa da Odip.

Saiba mais

l O badminton existe há mais de 2000 anos e é um dos esportes mais praticados no mundo. Apesar de ser bastante popular em países como o Paquistão, Índia, China, Japão, Tailândia, Indonésia e Malásia, o badminton também encontra praticantes na Europa e nas Américas do Norte, Central e do Sul.

l A peteca oficial utilizada nas partidas possuem 16 penas de ganso, que chegam a pesar cinco gramas. A durabilidade é pequena. Na maioria das vezes, uma peteca suporta apenas 5 rallys por partida. Entre os amadores, a peteca usada é confeccionada em nylon e geralmente possui a cor amarelo limão.

l A rede que separa os adversários fica a 1,55 metros do chão

l O objetivo do jogo é não deixar a peteca cair. Isso mesmo. O jogador tem que rebater para a quadra do rival, esperando que a peteca caia no chão. Uma batida para fora do espaço significa perder a jogada.

l A marcação dos pontos segue as regras do vôlei, ou seja, pontos corridos. O primeiro jogador a alcançar 21 pontos ganha o game. O jogo tem duração máxima de três games, existindo intervalo de dois minutos entre os games. Quem vencer dois games vence a partida.

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