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O Início:
Me nome é Frank Düesberg, sou alemão e moro no Brasil desde 1991. Comecei a praticar o Badminton em Recife onde o esporte tinha acabado de começar. Em 2004 me mudei de Recife para Gravatá e não queria deixar de jogar. Durante algum tempo fui procurando uma quadra adequada e finalmente achei a da ODIP (Obra da Defesa da Infância Pobre), que se localiza na periferia de Gravatá ao lado da Favela da Linha.
Conversei com a diretora, Irmã Maria do Carmo, e alugei a quadra nas sextas a noite para brincar com os amigos, sendo a primeira vez em 29 de outubro de 2004. Como tinha acabado de participar de um campeonato em Blumenau onde conheci o Sebastião, responsável por um projeto na Favela de Chacrinha no Rio de Janeiro, me veio pela primeira vez a ideia de tentar fazer algo parecido. Então além dos amigos e conhecidos convidei as crianças da ODIP para participarem.
Um dos primeiros a chegar foi Paulinho, que hoje é o coordenador no local e sem o qual o projeto hoje não existia mais.
As crianças foram chegando, apesar do horário a noite, a péssima iluminação e sendo um esporte completamente desconhecido em Gravatá. Assim devagarinho foi se formando um pequeno grupo de adeptos, treinando toda sexta-feira. Através da ajuda de amigos e familiares consegui comprar mais raquetes, petecas e redes e cada vez mais a prática se consolidou.
Após algum tempo consegui trocar o horário para o sábado de manhã e o grupo foi crescendo junto com o entusiasmo. Eu via muita carência e começei a instituir o lanche que eu comprava de manhã na padaria e pedia doações de roupas aos amigos.
Assim foi se passando 2005. Organizamos um pequeno torneio para prestigiar o primeiro ano do “projeto” no mês de outubro. Nesta data eu já tinha montado um pequeno site com algumas fotos e falando da nossa história e enviei alguns e-mails para empresas de equipamento de Badminton. Assim estabeleci contato com Thomas Schärer, diretor da Wilson da Suiça, que simplesmente doou 100 raquetes!
Chegou março de 2006 com a I Copa Nordeste em Recife. Alguns dos jogadores nunca tinham saído de Gravatá, então imaginem a emoção de viajar e ver o mar pela primeira vez! Muita alegria também com os resultados. Graças a colaboração da diretora do colégio Irmã Maria do Carmo, a criançada pude usar a quadra quando estivesse disponível. Então com muita prática a garotada deu um show de peteca em Recife.
Foi um passo importante porque de uma atividade de lazer vimos que talvez o esporte pudesse de fato mudar a vida destes jovens. Não sabíamos ainda como, mas sentimos que alguma coisa tinha mudado. Lembrando que o Badminton é um esporte olímpico e com bons resultados poderia haver um real futuro nesta atividade.
Como então eu já tinha participado de 3 torneios nacionais, em Blumenau, Curitiba e Volta Redonda, onde conheci o pessoal da Confederação Brasileira, vi que os alunos tinham capacidade de competir nacionalmente.
Então em 2006 teve uma seletiva em Curitiba para escolher os jovens para a Seleção Brasileira nas respectivas categorias para participar do Pan Americano Júnior. A Confederação patrocinou passagens para um jogador de Gravatá, onde dentre tantos bons, escolhemos Rodrigo da Silva da categoria Sub 11. Com muito esforço conseguimos a passagem do acompanhante, escolhemos Paulinho, porque Rodrigo não podia viajar sozinho. Quando recebi a ligação do técnico da Seleção Brasileira que Rodrigo foi escolhido para entrar na Seleção foi muita emoção e choro. Lembrava-me que no início do projeto eu tinha sonhado com isso e de repente o sonho tornou-se realidade. Foi demais.
Infelizmente desta vez não conseguimos o patrocínio para o acompanhante e Rodrigo não pôde participar do Pan. Foi triste, porém mais uma vez mostrou que podíamos chegar longe.
Neste ano não participamos da etapa do Piauí por falta de patrocínio, porém com uma rifa e outras doações fomos para a etapa de Natal/RN, onde os bons resultados se repetiam.
A principal mudança do ano 2007 veio com a visita do técnico da Seleção Brasileira Luiz de França em Gravatá. Imaginem Bernardinho visitando seu clube de voley ou Pelé sua turma de futebol, assim foi a visite de Luiz. Isto mostrou que o Brasil tomou conhecimento deste meninos e meninas de uma favela no interior de Pernambuco.
Um outro fato importante foi o contínuo crescimento do nível dos jogadores. Fiquei muito feliz quando fui superado pelos meus alunos, mostrando que eles estavam no caminho certo. Tanto que Leo ganhou duas etapas da Copa Nordeste e então me acompanhou como os únicos jogadores na categoria A nacional em 2007.
Estamos em 2008 e tenho certeza que será mais um ano com muitas alegrias em todos os aspectos que o Badminton está trazendo.
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